Reflexões - Parte 3

19:04



Pessoas, me desculpem pelo horário da postagem, mas ainda não estou acostumada a "blogar"! Michele prometo não me atrasar mais :D

Segue: Asher, terceiro capítulo! 

Capítulo 3

O retomar da consciência foi lento e doloroso. O chão duro machucava meu corpo pálido e frio como o gelo, que refletia com os primeiros raios de sol da manhã. As pálpebras pesadas teimavam em se abrir, sentia-me amortecido como nunca sentira desde que perdera a vida humana. Estiquei os dedos cortados pelos golpes que desferi, levei a mão até a face, e depois observei o sangue que escorria de meu pescoço.
Esforcei-me para levantar, ignorando a tontura e a náusea que a perda de sangue me causaram e evitava a luz que insistia em castigar os meus olhos vermelhos. Tão logo a tontura diminuiu, consegui ficar de pé. Ao lado jazia, em meio à solidão das montanhas, o corpo quase desfigurado do meu oponente.
Eu não recordo de tê-lo matado. Esforcei-me para relembrar a técnica, uma vez que poderia usá-la contra outros invasores, mas as tentativas foram inúteis. Aproximei-me do cadáver desfigurado e observei atentamente, buscando alguma marca que denunciasse qual teria sido a causa da morte.
Depois de alguns momentos concentrando-me em cada detalhe do corpo quase que totalmente transformado em areia branca, cujos grãos seriam levados pelo vento e forçados a se fundir com as areias do deserto, um som de passos me despertou, então virei para ver, ao longe, o rosto do velho que escapara três vezes.
Alerta, coloquei-me em posição de defesa, certo de que ele viera terminar o que não tinha conseguido das outras vezes. No instante em que ele saltou sobre o pico que nos separava, pensei que havia me enganado ao reconhecer a imagem de um cão branco saltando em minha direção, mas quando seus pés tocaram o solo arenoso do deserto, era novamente o velho grisalho quem se postava a minha frente.
Porém, desta vez, seu rosto estava sereno, não havia qualquer ameaça em suas feições. Mesmo assim, permaneci alerta, temeroso de que guardasse alguma artimanha, mas o velho estendeu a mão, esboçando um leve sorriso.
— Venha, garoto! — praticamente ordenou-me — Há muitas coisas que eu preciso lhe ensinar.
Estendi-lhe a mão e dessa forma, ele se tornou um verdadeiro mestre, substituindo com louvor, o perverso ser que me transformara em imortal, e que tivera-me, por direito, como seu súdito.
Seu nome era Efrat, um homem, ou um vampiro com milênios de anos, logo, um mestre nas artes das trevas. Não era mau, no entanto, e fazia lembrar o meu pai, há muito tempo esquecido.
A cada amanhecer, depois das noites de ronda, que agora Efrat fazia questão de acompanhar enquanto me ensinava sobre os vampiros, eu voltava para encontrar Kenora, a cada dia mais apavorada com criaturas que a espreitavam durante as noites de luar. Meu peito apertava sempre que via o medo refletido no olhar de Kenora. Eu precisava encontrar uma solução rápida para acabar com a tortura infligida a ela, precisava aprender a caçar rapidamente, encontrar e destruir os vampiros de uma vez.
Por sugestão de Efrat, voltei a casa, desta vez, pronto a levar Kenora comigo. Muitos haviam visto como eu protegia os arredores da casa nas madrugadas tão geladas quanto meu corpo, e Efrat temia que as perseguições se acirrassem contra nós, e por isso não deveríamos esperar que os imortais fechassem o cerco, assim não teríamos a mínima chance de escapar.
Ponderamos atravessar o deserto, rumo ao Egito, mas Efrat considerou a vida humana de Kenora frágil demais para suportar a viagem naquela época do ano quando os dias eram insuportavelmente quentes e as noites, glaciais. A alternativa era seguir pelas margens do Eufrates, atravessando Kish, Isin, Uruk, montando acampamento em cada uma delas, com o objetivo de alcançar o Golfo Pérsico e tornar rumo a Susa, e depois refugiarmo-nos nas montanhas.
Quando informei Kenora sobre a decisão que tomara junto a Efrat, ela não se deu por satisfeita, nem se sentiu aliviada. Pelo contrário, discutimos desde o anoitecer, até que a lua cheia atingisse a noite sem estrelas. Ela não queria deixar seu lar, a terra em que nascera e que lhe dava forças para viver. Não compreendia minhas intenções de protegê-la e não se importava se seu destino fosse morrer vítima de um sugador de sangue.
Ironicamente, quando meus argumentos haviam se esvaído completamente, duas feras sedentas de sangue adentraram o casebre. As presas salientes se mostravam, apesar da escuridão, quando da garganta de Kenora, um grito agudo denunciou sua localização.

Raquel Pagno
www.raquelpagno.com 

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5 leitores apaixonados❣️

  1. Sempre misteriosa Raquel Pagno...
    Bjuus amiga

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  2. Sempre misteriosa Raquel Pagno...
    Bjuuuss amiga!

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  3. Ualll!!! Cada capítulo fica melhor e mais explicativo, e mais viciante kkkkk!
    Amei !!
    beijos Minha querida <3

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  4. Legal! Vou procurar os capítulos anteriores depois!
    beijos
    apenas-um-vicio.blogspot.com.br

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  5. Genteee cada dia melhor
    Tow morrendo aqui

    http://worldbehindmywall.fanzoom.net/

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