Reflexões - Parte 7

09:11


Galera, hoje para vocês o Capítulo 7 as saga de Asher.

Ainda teremos mais dois capítulos na sequencia e depois uma promoção para escolher o novo nome da minha coluna aqui no blog da Mila, valendo um exemplar do Herdeiro da Névoa!

Vão pensando aí gente, conto com a participação de todos vocês! Boa leitura!


Capítulo 7

Mirei no horizonte o sol que despontava, tornando amarelo-ouro o deserto ao longe. Estava na hora de despertá-la. Adentrei na tenda improvisada, onde ela descansava, já com os olhos abertos, que espreitavam o espaço vazio diante de si, como se nada mais existisse além das partículas que brincavam na réstia de sol a sua frente.
Saímos antes que o calor aumentasse a ponto de esvair mais depressa as energias de Kenora. Partimos rumo a Nippur, na parte central da Suméria, abandonando nossa rota anterior. A intenção agora era percorrer a mínima distância possível, sem margear o Eufrates, nem aproximar-nos tanto do rio Tigre.
A caminhada era cansativa, embora Kenora se esforçasse para manter um ritmo constante. Eu segurei a sua mão durante toda a trajetória, amparando-a quando tropeçava, tentando passar uma parte da minha força para ela.
Paramos para descansar próximo ao meio-dia, quando o sol do deserto era forte demais para que ela suportasse o calor. Ergui parte da tenda para nos abrigar do sol, e sentamos os três para descansar. Efrat afastou-se um pouco, olhos fixos no horizonte e ouvidos atentos como os do cão que eu vira nele outro dia. Deixei minhas mãos percorrerem o rosto de Kenora, concentrando-me no seu rosto sereno, tentando gravar na memória aquela expressão pacifica.
— Vamos embora! — gritava Efrat, correndo em nossa direção, gesticulando e abanando os braços abertos para que eu começasse a desmontar a tenda.
Estranhei a atitude, mas bastou correr os olhos na direção de Isin, para ver a nuvem de poeira, levantada pelas patas dos cavalos que corriam em nossa direção. Agarrei Kenora pelo braço, abandonando a tenda e todos os mantimentos que havíamos preparado para a viagem, como se não mais precisássemos deles, e corri o máximo que pude arrastando-a comigo.
A esta altura, todos já sabiam que o caçador acobertava uma bruxa, e os Primeiros não hesitaram em enviar seus seguidores para matar-me. Vampiros de todas as partes formavam um verdadeiro exército de chupadores de sangue que percorriam os territórios da Acádia a minha procura.
 Corri sem olhar para trás, ou preocupar-me com Efrat, que ficara para tentar atrasá-los. Corri com minhas pernas, corri com o coração e com a parte de minha alma que continuava intacta dentro do meu corpo morto; corri com a força do amor que me ligava a Kenora, e no êxtase da corrida, a vontade de salvá-la foi tanta, que apertei a sua mão e voei sobre as cidadelas que formavam a região da Acádia, transformando-me em águia fugaz.
Corri até não restar nenhuma força em meu ser. Estávamos em Elam, quando outra caravana nos surpreendeu. De alguma maneira, eles adivinharam meus planos de esconder Kenora na cordilheira de Zagros, e esperaram por nós aos pés das primeiras montanhas.
Vi-me cercado de monstros, que estendiam seus braços e mostravam suas presas, fazendo Kenora tremer de pavor. Evoquei a fera que também havia dentro de mim e avancei sobre o primeiro mestiço que ousara se aproximar. Conforme aprendi com meu mestre, deixei que ele sugasse o meu sangue, até sentir que seu corpo começara a esmorecer.
Mais dois saltaram sobre mim, mas desta vez, não ousaram tocar no sangue quente que escorria sobre a minha pele alva. Estendi o braço, tentando alcançar o pescoço daquele que saltara sobre as minhas costas, enquanto o outro lutava para ocultar-me a visão. Tateei até chegar aos olhos do monstro e friccionei o dedo indicador sobre a órbita gelatinosa.
A fera se afastou em meio a um urro agudo, mas não forte o bastante para abafar os gritos de Kenora. Quis virar-me, correr para seus braços, livrá-la do perigo, mas os braços que me prendiam eram fortes demais para que eu pudesse escapar, e o sangue que escorria da ferida aberta, não parecia aguçar-lhe os sentidos.
Um círculo se fechara em torno de Kenora, e eu já não conseguia enxergá-la. Meu coração gelado parecia palpitar dentro do peito, e o sangue que antes fora gélido como as águas do Mediterrâneo, fervia agora dentro das minhas veias. Berrei, enfurecido, tomado de ódio por todos aqueles monstros. Berrei por eu ser também um monstro, e porque sentia igualmente ódio de mim mesmo, por ter falhado ao tentar protegê-la.
Roguei para que Efrat aparecesse para ajudar-me, mas desta vez, ele não estava por perto. Debati-me e gritei o nome de Kenora o mais alto que pude, com todas as minhas forças, que já não eram suficientes para salvar-lhe a vida. Mais dois vampiros se aproximaram, ajudando o primeiro a me conter.

Raquel Pagno
www.raquelpagno.com    

You Might Also Like

1 leitores apaixonados❣️

  1. Olá Mila tudo bem ?
    Te indiquei à um selo no blog , passa lá e dá uma olhada :p

    http://blogchuvadeletras.blogspot.com.br/2013/12/selo-liebster-award.html

    Beijos, Carlos.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Instagram

Assine

Follow

Linke-nos

Blog Canteiro de Obras Literárias