No Meu Mundo...

07:00


Pessoal, segue o 12º capítulo! Espero que gostem!

Boa leitura!

Décima segunda carta aqui:  


DÉCIMA SEGUNDA LIÇÃO – Sonhos São Possíveis...

Foi Andrew quem teve a brilhante ideia. Pesquisariam a vida inteira do piloto em jornais, revistas e internet. Quando reunissem bastante informações, estudariam e decorariam fatos importantes da carreira do aviador, não seria difícil conseguirem credenciais falsas, carteirinhas de imprensa e então fingiriam serem dois renomados repórteres da pequena cidade onde moravam, doidos por algumas palavras dele. Ele os atenderia, sempre tratava bem aos repórteres, às pessoas da imprensa que o recepcionavam nos aeroportos de todo o mundo. Não seria diferente com eles, ou seria? Mesmo sem ter certeza, Natália estava animada, animada de verdade, pela primeira vez. Já organizara, inclusive, um formulário com as perguntas que deveria fazer sobre a sua carreira, sobre a sua vida, e algumas que ela pessoalmente gostaria de fazer, disfarçadas entre as outras.
Partiram para mais um canto do país. A viagem desta vez não fora tão agradável quanto a anterior. Não havia voos agendados para a presente data, então tiveram que seguir de ônibus em uma viagem que durou mais de treze horas. Chegaram exaustos. Natália não conseguiu dormir durante o trajeto, teve medo de sofrer um acidente na estrada e a cada vez que fechava os olhos era precocemente despertada pelas buzinas dos outros automóveis ou pelos solavancos dos trechos imperfeitos de asfalto e estrada de chão. Andrew também não conseguiu relaxar, mexia-se na poltrona constantemente, tentando encontrar uma posição confortável que lhe permitisse ao menos uma soneca, mas as costas doíam e, não bastasse o ruído do motor a perturbar, ainda tinha de aturar as pessoas que não paravam de conversar e outros ainda, que dormiam tão profundamente que seus roncos eram capazes de acordar todos no ônibus inteiro.
Andrew procurou um hotel próximo à rodoviária e alugou um quarto com duas camas de solteiro e, apesar dos protestos de Natália, não partiriam direto ao aeroporto, precisava descansar, ou então não conseguiria assumir o personagem que criara para ele. Aconselhou-a a fazer o mesmo, pois não poderia encontrar-se com o homem dos seus sonhos cheia de olheiras, como se fosse uma bruxa. Ela não teve alternativa, senão ceder. Dormiram por longas horas. Natália não sonhara com o homem, ou com a explosão desta vez, sonhara com um lindo campo florido, parecido com o que vira durante as sessões de hipnose, correra solta por aquele imenso campo verde até encontrar uma linda árvore, cheia de folhas que produziam uma agradável sombra debaixo de si. Ela sentou-se àquela sombra, sobre as imensas raízes que brotavam desprotegidas de dentro da terra, escondendo-se do sol que, ela sentia na pele, estava muito quente. O despertador a acordara. Andrew o deixara ligado por precaução porque não queria desperdiçar as longas horas de sacrifício que passara naquela viagem atrasando-se para o pouso do piloto, pois seria a melhor oportunidade de aproximação que teriam.
Ela vestira-se depressa. Agora não trajava mais o lindo vestido preto, mas sim um elegante terninho de crepe, guardado bem no fundo do armário para ocasiões especiais. A blusa branca que se mostrava discretamente por debaixo do casaco contrastava com o cachecol de lã vermelho. Pregara na gola o crachá de imprensa que Andrew habilmente providenciara para os dois. Ele, não menos alinhado, vestia uma calça social preta, feita de lã fina que além de aquecer, deixava-o alguns quilos mais magro, combinando com a camisa branca de mangas longas e casaco de couro preto.  Estavam ambos muito elegantes e pareciam mesmo pessoas importantes. Andrew estava nervoso e preocupado, não com o piloto, a quem Natália se encarregaria de entreter, mas com o pessoal da administração. Será que ligariam para verificar suas credenciais? Se o fizessem, eles estariam ferrados!
Pegaram um táxi em frente ao hotel. Teriam tempo de sobra para convencer a organização do evento sobre suas identidades, e ainda conseguir um bom lugar para apreciar a habilidosa descida do piloto. Andrew pagara pela corrida, com as mãos trêmulas, não estava acostumado a mentir e a inventar estórias, esperava ser convincente, por Natália, porque aquela era a missão de sua vida. Dirigiram-se imediatamente ao comitê organizador do evento. Andrew tomou a iniciativa, foi logo apresentando as credenciais de imprensa para um homem rabugento que fazia a segurança logo na entrada. Não foram barrados e isso já era um grande alívio, porém antes de ter livre acesso à área da imprensa, era preciso que conversassem com a diretoria geral do evento (e aquilo tinha uma vasta hierarquia, iriam demorar até chegar à diretoria geral!) que se encarregaria de checar os dados e permitir, ou não, o acesso dos dois. Duas horas depois e estavam frente a frente com o presidente do aeroclube (enfim, o diretor geral!), que depois de alguns telefonemas, que nada tinha a ver com checagem de dados ou verificação de credenciais, pediu a um dos seus diversos secretários que os acompanhasse ao camarote especialmente reservado aos repórteres.
O coração de Natália acalmou-se. Andrew conseguira, ela estava orgulhosa do amigo, pois ela mesma não poderia ter tido ideia melhor. Olhou para Andrew com o canto dos olhos e sorriu, discretamente para não chamar atenção, mas a vontade que teve foi de pular ao pescoço dele, abraçá-lo e enchê-lo de beijos de agradecimento; se o plano desse mesmo certo, seria graças a ele e à sua ideia maluca! Sentaram-se confortavelmente, desfrutando uma garrafa de água mineral gelada, especialmente servida para ambos. Natália segurou a mão de Andrew, ele entendeu o nervosismo da amiga, sentiu sua ansiedade mais uma vez, só que agora seu sexto sentido dizia que essa sensação estava para se alterar profundamente. As vibrações que de seu corpo emanavam agora deixavam transparecer também uma esperança, uma nova forma de esperança que não se baseava apenas em sonhos, mas em fatos concretos, em acontecimentos reais e que poderiam realmente se tornar reais a partir da possibilidade que ele inventara para ela. Vibrava também naquela mão, a gratidão que ele sabia que viria mais tarde em forma de palavras, mas que ele nem precisava escutá-las porque já sabia o que ela lhe diria, já sentira a gratidão no calor da sua mão.
Um ponto negro acabara de surgir no horizonte. Ficava maior e mais barulhento a cada minuto, vinha depressa na direção da pista de pouso. Estranhamente desta vez, não fizera nenhuma gracinha antes de alinhar-se para a descida. Pousou com a suavidade de sempre, porém quando o capacete foi retirado, revelando o rosto do amigável piloto, o que se viu não foi exatamente o sorriso de sempre, mas um olhar gélido e preocupado, que Natália não conseguiu interpretar. Antes que pudesse dizer algo, os outros repórteres já se levantavam para sair correndo em busca de informações, mas ele sequer trocou com eles as palavras de costume, caminhou rapidamente para o seu “hangar particular”, deixando entrar apenas o pessoal da diretoria. Nem ao menos deixou-se tocar ou fotografar pela legião de garotas que se esticavam atrás das barreiras que protegiam sua passagem.
Natália o seguiu incansavelmente até a porta do hangar, mas foi impedida de seguir adiante. Esperou minutos, que pareceram séculos, sentada no estreito degrau que ladeava o hangar. Encostou-se nas paredes, tentando ouvir o que se passava lá dentro, perguntou para cada segurança que saia do local, mas nenhum deles tinha autorização de passar qualquer informação à imprensa. Por um momento, Natália odiou a credencial presa à gola do casaco, mas logo esqueceu o ódio, porque ela, que agora era da imprensa, estava infinitamente mais perto do tal homem do que as dezenas de meninas com seus vestidos cor-de-rosa espremidas na beira da corda. Enfim, o diretor geral saiu ordenando que reunissem os da imprensa porque o piloto diria algumas palavras. Natália, que não voltara para o camarote, como os demais, aproveitou para ficar bem à frente da porta do hangar, onde ele pudesse vê-la inteiramente. Todos se acomodaram e ele começou a desculpar-se.
— Bem, — começou o diretor geral — sinto ter de informá-los de que o espetáculo programado para esta tarde está cancelado! Infelizmente não há nada que possamos fazer porque houve um pequeno problema com o motor da aeronave, mas retomaremos a apresentação em uma próxima data, que garantimos, será uma festa mais emocionante do que este aniversário do nosso município! No entanto, não podemos colocar em risco a segurança de todos insistindo em seguir com o show programado, seria irresponsabilidade da nossa parte, porque hoje é dia de festa, de comemoração e não de desastre, não é mesmo? Peço-lhes que permaneçam no aeroporto e desfrutem da estrutura que montamos especialmente para vocês! Pedimos desculpas, juntamente com este homem, que permanecerá aqui, participando desta festa que é de todos vocês! Passo a palavra a este corajoso piloto, que não mede esforços para levar alegria aonde quer que vá!
— Eu gostaria primeiramente de reforçar o pedido de desculpas, já mencionado pelo diretor em meu nome, e assegurar a todos vocês que voltarei o mais breve possível, assim que o problema for solucionado, e manterei meu compromisso de alegrá-los com minhas manobras. Espero que entendam que seria muito perigoso voar com a aeronave em condições nas quais se encontra, não usarei termos técnicos para explicar o problema, visto que há muitos leigos aqui presentes e porque não nos interessa saber que parte exatamente pifou... — ele riu e as tietes da primeira fila também, Natália apenas levou uma das mãos sobre o coração, percebendo que o olhar do homem agora se voltava para ela — Mas como eu ficarei por aqui, terei tempo de sobra para receber algumas pessoas no hangar. Aviso-os também de que o sorteio que contemplará alguns felizardos a um passeio de helicóptero continua valendo, porque a festa ainda não acabou, e os premiados podem escolher entre o passeio pelos céus, a entrada aqui no hangar ou ainda poderão escolher um brinde de sua preferência entre as diversas lembrancinhas ofertadas pelo aeroclube. Aos nossos amigos repórteres — ele olhou para Natália mais uma vez — que quiserem saber mais detalhes, basta cadastrarem-se junto à organização do evento. Eu receberei a cada um, cedo ou tarde, peço-lhes apenas que tenham paciência, pois preciso também consertar meu avião. No mais, gostaria de agradecer a presença de todos, aos que moram aqui perto e também aos que percorreram muitos quilômetros para assistir a este espetáculo. Sei que muitos, inclusive, vieram das redondezas, das cidades menores as quais nem sempre tenho o privilégio de visitar, mas asseguro-lhes novamente que terão sua recompensa, e prometo que criarei uma acrobacia nova, exclusivamente para vocês. Tenham uma boa festa!
Natália estava pasma! O avião quebrara e ele estava ali, vivo e radiante. Embora preocupado, estava alegre e inteiro! E ele a vira, agora ela tinha certeza! O que lhe restava era bolar mais uma pequena estratégia e agendar com a diretoria uma entrevista exclusiva. Correu para o guichê de entrada, procurando com os olhos o diretor geral, precisava ir direto a Deus se queria um milagre, ou mais uma vez teria de enfrentar a ira de todos os santos, até que alguém resolvesse se livrar dela, expulsando-a ou coisa parecida. Viu o vulto ao longe, mas ele parecia estar caminhando rumo à saída. Tentou correr, mas quase foi esmagada pelas pessoas que se amontoavam para comprar a rifa do passeio de helicóptero que agora, poderia ser revertida em alguns minutos na companhia do famoso piloto. Muitas mães, cujos filhos sonhavam ser piloto, compravam cartelas inteiras tentando satisfazer a vontade dos pequenos. Natália entendia que aquilo poderia servir de inspiração e incentivo para todos aqueles garotos, mas tinha de passar e empurrava-as uma por uma para o final da fila. Andrew já se perdera dela há tempo. Não era um homem magro e pequeno e não pôde passar pelos primeiros amontoados de gente. Simplesmente entrou na fila, quem sabe estivesse com sorte e fosse premiado? Isso certamente resolveria os seus problemas. Olhou para o lado e viu Natália voltando desanimada para o seu lado.  Pela expressão do seu rosto, percebeu que não tinha conseguido o que queria.
— E então, falou com ele? — Andrew foi logo perguntando.
— Falei, sim. Mas ele disse que as exclusivas serão concedidas apenas aos representantes da imprensa local. Ou seja: estamos fora!
— Ainda não estamos, não! — disse Andrew, sorrindo e balançando o único bilhete da rifa que comprara.
— Valeu a tentativa, mas com esse bilhetinho você pretende entrar no hangar do piloto? Você viu aquelas mulheres com as bolsas recheadas de cartelas inteiras? Elas, sim, serão premiadas!
— Ah! Mas não temos dinheiro para rechear a sua bolsa de cartelas inteiras! Além do mais, qualquer bilhete poderá ser sorteado, não é verdade? O importante é que eu estou concorrendo!
— Você é um sonhador, Andrew.
— Sou sim, o que tem de errado nisso? Os sonhos são a nossa única razão de viver, você mesma não estaria aqui se não fosse pelo seu sonho, lembra-se? Que graça teria viver sabendo exatamente o que iria acontecer, usando a razão somente, se é a emoção dos sonhos que nos move?
— É bem diferente o meu caso, Andrew. Você não pode comparar uma ligação de muitas encarnações com um bilhete de rifa...
— E por que não? Sonhos são sonhos. Por que um dos meus seria menos importante do que um dos seus? Está sendo egoísta.
— Desculpe-me, não foi o que pretendi. Apenas acho que as chances de ser sorteado são muito baixas, eu diria que são quase insignificantes.
— O meu bilhete tem a mesma chance de ser sorteado que qualquer outro vendido daquela rifa, nem mais e nem menos. Pode ser que ganhe, pode ser que perca, quem saberá? Eu acredito nos sonhos, se não acreditasse, dificilmente estaria aqui com você agora. Eu encararia você simplesmente como uma louca, uma doida de pedra, jamais teria feito parte dessa loucura. Veja, isso não é mesmo uma loucura? É sim. Uma maravilhosa loucura, um sonho realizando-se aos poucos, no seu devido tempo. E é lindo isso! É uma maneira maravilhosa de levar a vida, assim, vivendo sonhos. Se eu tivesse suspeitado que seria tão bom, teria corrido atrás de muitos outros sonhos, que foram morrendo com o passar do tempo, que perderam a cor, perderam o sentido e deixaram de existir.
— O sonho de encontrar o seu pai, por exemplo?  — Andrew não gostou da referencia de Natália. Ele estava mesmo pensando nesse sonho, na vontade quase morta de encontrar o seu pai, mais uma vez, ao menos para lhe dizer que sentia muito por tudo... Mas não estava preparado ainda para ouvir sobre ele e nem para falar dele. A pergunta tão direta o constrangeu e ele não soube como respondê-la. Como sempre fazia quando, na verdade, não sabia o que fazer, ele fugiu. Saiu de perto de Natália, correu em direção a uma das barracas que vendia souvenires e fingiu estar interessado no funcionamento de um pequeno avião movido a corda.
Natália o machucara. Viu que dissera uma grande besteira. Ora, por que precisava machucá-lo dessa forma? Ela não quis colocar o dedo na ferida de Andrew por todos estes anos, mas sentia que ele precisava se abrir com alguém. Ele se fechou ainda mais desde que o pai partira. Embora tenha se sentido aliviado com o fim dos castigos, das surras e das intermináveis discussões, ele sentia falta de uma figura masculina para ter em quem se espelhar. Era amigo do pai e dos irmãos de Natália, mas estes não substituíam o homem que deveria ter estado ao seu lado na maior parte de suas vidas, que deveria tê-lo acompanhado nos momentos importantes, assistido às reuniões da escola, brincado de soltar pipa, ensinado a pescar e a caçar, ir ao estádio para ver o time favorito jogar, entre tantos outros momentos que Andrew gostaria de lembrar, mas que não passavam de páginas em branco na sua história. Depois de todo esse tempo, ele ainda se recusava a falar desses assuntos, porque ainda carregava sobre os ombros a culpa de o pai ter ido embora, culpa porque a mãe teve de assumir sozinha, além da educação do filho, as despesas da casa; culpa pela morte de seus avós, porque adoeciam com mais frequência enquanto se esforçavam para suprir as necessidades especiais de Andrew, as terapias e os tratamentos que a mãe não conseguia pagar apenas com o salário de costureira.
Ele aprendeu a conviver com a culpa. Aprendeu que as escolhas de cada um deles é que determinou seus destinos, mas como ele era um “garoto esquisito, um louco”, como o pai sempre dizia, acabou por influenciar a todos os que amava, os que o amavam e queriam apenas ajudá-lo. Isso afetou o rumo das coisas. Teria sido tão diferente se o pai não tivesse sido covarde, se tivesse encontrado outra saída senão fugir de Andrew e de seus problemas. Mas agora era tarde e de nada adiantaria ficar remoendo as angústias do passado. O que fora feito antes já não tinha mais volta. O que poderia ser feito agora era a única coisa que importava, porque embora ele não tenha conseguido ainda encontrar respostas que justificassem a atitude daquele homem, se não fosse por ele ter feito o que fez, Andrew talvez não tivesse se tornado a pessoa livre que era hoje, e quem sabe ele o tivesse mandado para um hospício, para o resto de seus dias. Decidiu que quando o encontrasse, se o encontrasse de novo, não iria dar bronca, conforme planejara todos esses anos, iria agradecer a ele por tê-lo deixado sob os cuidados da mãe e dos avós, dessa forma ele foi amado e recebeu todo o apoio que uma família pobre como a dele, pode dar.
Natália caminhou até ele. Não disse nada, só encostou a cabeça no ombro do amigo. Ele entendeu o pedido de desculpas mais uma vez, e beijou-lhe a face. Agora vê se pensa antes de falar!, dizia ela para si mesma. Andrew segurou o pequeno avião em frente a ela e começou a explicar o funcionamento do pequeno brinquedo. Era uma réplica quase perfeita do avião de manobras que faria o show, diferenciava-se apenas por não haver o nome do piloto pintado no lado de fora. Os alto-falantes chamaram a atenção de Andrew de repente. Chamavam os portadores dos bilhetes de rifa para que se aproximassem do local do sorteio, que começaria em alguns instantes. Ele segurou a mão de Natália, ansioso, e caminhou para a beira da corda que separava o público do pequeno palanque montado especialmente para o globo do sorteio. Passados uns cinco minutos, uma linda moça loira, vestida com roupas brilhantes e chamativas, subiu ao tablado de madeira, seguida por um dos organizadores do evento. O sorteio começaria. Andrew apertava a mão de Natália, estava nervoso, por isso não gostava muito de jogos, eles sempre o deixavam nervoso. A loira começou a girar o globo, enquanto o helicóptero descia para a apreciação dos que sonhavam dar uma voltinha pelas alturas.
Caiu a primeira bola. Ninguém acertou. A segunda, Andrew não marcara, mas muitas outras pessoas sim. Desta forma, seguiu-se o segundo sorteio, o terceiro e os outros nove. Andrew acertara no máximo três das cinco dezenas que de precisaria. Estava tudo bem, ele estava acostumado a perder. Mas este era um presente que queria muito poder ter dado a Natália, então não pôde deixar de decepcionar-se com o resultado.
— Então, vamos embora? — perguntou ela.
— Mas...  já? Ainda é cedo! Vamos ficar mais um pouco! Você quer comer alguma coisa?
— Está bem, vamos ficar. Que tal cachorro-quente?
— Ótima ideia! Lancharam ao lado da pequena lanchonete móvel. O cachorro-quente estava delicioso e Andrew acabara de repetir. O lugar ainda estava bem movimentado e o imprevisto não espantara as pessoas que tinham vindo prestigiar o evento. Andrew ouviu um novo chamado nos alto-falantes. Era a voz do organizador responsável pelo sorteio, anunciando que quatro pessoas não apareceram para requisitar os prêmios e conforme as regras, passada uma hora sem aparecer o premiado, realizar-se-ia um novo sorteio. Era o que aconteceria naquele momento e mais uma vez os portadores foram convocados a se dirigirem ao tablado. Natália notou a animação voltar ao rosto do amigo, que largou o sanduíche comido pela metade e correu para a beira da corda. Ela temeu mais uma decepção.
A primeira bola caiu. A segunda, seguida pela terceira. A quarta bola, e até então Andrew não acertara nenhum número. Próximo sorteio, mais um e finalmente o último. Natália o puxava para longe, mas inexplicavelmente, as bolas foram se ajustando à cartela de Andrew. Acertara os primeiros quatro números, mas faltando apenas a última dezena, a sorte lhe traíra e ele errou. Olhou para os lados, ninguém apareceu. Mais uns minutos de espera e, como o helicóptero tinha hora marcada para ir embora, mais uma bola foi sorteada. Inacreditavelmente, era a dezena de Andrew! Natália não podia acreditar. Ele subiu ao tablado, para conferir se realmente ouvira direito. Eram suas dezenas! Ele ganhara!
— Viu, querida? Quem disse que sonhos são impossíveis? — brincou ele com Natália.

Raquel Pagno
www.raquelpagno.com    


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10 leitores apaixonados❣️

  1. Olá. Esse capítulo ficou ótimo. Cada vez a história fica melhor. Aguardo ansiosa o próximo capítulo.

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    1. Que bom que gostou Monica! Adorei receber sua visita!
      Não perca os próximos capítulos! Beijos!

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  2. Adorei o conto!
    E ameeeei esse quote "(...) Que graça teria viver sabendo exatamente o que iria acontecer, usando a razão somente, se é a emoção dos sonhos que nos move?" *-*
    Temos mesmo que sonhar e correr atrás dos nossos sonhos. Viver uma vida racional, fazendo somente as nossas obrigações, não é aproveitar a vida plenamente =)

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    1. Oi Pamela!
      Fico feliz que tenha gostado!
      É um livro inteirinho que será postado aqui pra vcs, então, fique ligada, todas as sextas-feiras tem um capítulo inteiro!
      Beijos!

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  3. Muito verdadeira a frase "A escolha de cada um deles é que determinou seus destinos." Uma sábia frase.
    Bjs, Rose

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    1. Obrigada Rose. :D
      Não perca os próximos capítulos! Beijos!

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  4. Comecei a ler, mas fiquei com medo de spoilers, pois ainda não li os outros capítulos, haha.
    Mas pelo pouco que li já deu pra perceber que a sua escrita é bacana. Não posso falar muito da estória em si, pois nem sei ao certo do que se trata.
    Assim que possível, lerei.

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    1. Olá Rita,
      Que bom que achou a escrita bacana. :D
      Quando ler os outros capítulos, não se esqueça de deixar sua opinião nos comentários pra gente, ok?
      Beijocas!

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  5. Como não li outros capítulos não entendi nada ainda, você tem uma boa escrita. Agora estou sem tempo para ler. Espero que consiga fazer sucesso no seu livro e boa sorte ^^

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    1. Obrigada Alessandra. Quando puder, leia os capítulos anteriores e deixe sua opinião aqui pra gente, ok?
      Obrigada pela visita! Beijos!

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