No Meu Mundo...

20:26


Antes tarde do que nunca... Segue o primeiro capítulo de Asher II - O Messias!

Boa leitura!  :D

Capítulo 1


            Anos se passaram depois da morte de minha amada Kenora, no deserto da Suméria, quando Adramelech, um dos Quatro Primeiros demônios que enganaram Lúcifer e fugiram do inferno transmutando-se nas bestas que conhecemos por vampiros, quase tirou também a minha vida.
            Recordo-me daquele dia como se os séculos que me separam dele não tivessem passado. O suave perfume da pele de Kenora ainda habita as minhas lembranças, vez ou outra. Eu sei que a ferida jamais cicatrizará. Eu sobrevivi, mas por muitas e muitas vezes, desejei ter morrido naquele exato momento em que o brilho da vida esvaiu-se do olhar de Kenora.
Só me restaram a sede vingança e a amizade de Efrat. Eu jurei perante o corpo sem vida de minha amada que caçaria Adramelech para onde quer que ele fugisse. Não que eu pensasse que ele fugiria de mim, uma das suas crias que deveria por obrigação, ser seu servo e lhe devia a mesma devoção de um fiel a um deus, mas por que sabia que nenhum dos Quatro Primeiros mantinha-se no mesmo lugar por muito tempo, sempre percorrendo o mundo em busca de bruxos, cujo sangue servia para manter sua juventude eterna perante os séculos de imortalidade.
Depois da morte de Kenora, recusei-me a voltar pra casa. Ágade jamais tornaria a ser o meu lar. Lar é o lugar onde estamos com quem amamos e eu já não tinha mais ninguém. Nunca mais teria, era a minha sina: a solidão.
Comecei a seguir o rastro da besta, assim que me recuperei. Não era fácil, mas a cada cidade a que chegava, sempre escoltado por Efrat, ouvia histórias de massacres causados por ataques vampirescos. Era difícil encontrar alguém que soubesse da existência dos bruxos, no entanto, o que dificultava relacionar tais ataques a Adramelech ou outro dos primeiros.
Eu precisava aprender a reconhecer sinais que me levassem ao meu alvo. Mas como? A única maneira de encontrar qualquer dos Quatro Primeiros seria encontrando bruxos. E bruxos não tinham nada de extraordinário a não ser o cheiro do sangue, infinitamente mais tentador do que dos humanos comuns.
Convenci-me de que precisaria me tornar um farejador, como um cão. Efrat advertiu-me de que meu método falharia, pois vampiros podiam sentir o sangue dos bruxos em um raio de quilômetros de distância, o que nos poderia levar na direção errada e nos fazer perder ainda mais tempo. Isso não me importava. Eu tinha todo o tempo do mundo.
Comecei a treinar meu faro, percorrendo os vales da Babilônia. As guerras decorrentes das disputas territoriais eram constantes, o povo ainda mais miserável e isso não era um espetáculo agradável, mesmo para um monstro como eu.

Tentei não me envolver nos conflitos dos humanos, apesar de ser comum ver vampiros engajados nos exércitos ou tomando partido por algum dos lados, como se aquela fosse sua pátria. Como se não soubessem que nós, os amaldiçoados, não temos uma pátria.


Mais em: www.raquelpagno.com    

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